quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ESTRANHO

Europa, o velho continente, como muitos velhos, sempre pronto para causar algumas surpresas. Este ano, que está no seu último trimestre, revelou alguns fatos e acontecimentos que merecem reflexão.

Lembro a NUVEM DO VULCÃO da Islândia. A erupção de um vulcão é algo relativamente freqüente e não tem merecido mais que pequenas notas nos nossos jornais. Essa foi diferente. Provocou reportagens diárias nas TVs do mundo inteiro e suspendeu o tráfego aéreo em grande parte do hemisfério norte, principalmente Europa e Oceano Atlântico. Certamente não é de bom alvitre conduzir uma aeronave através de uma nuvem de fuligem, mas o espaço aéreo é grande. Perguntem a qualquer piloto de Airbus ou Boeing que lhe dirá que nuvens perigosas costumam ser contornadas.

Por estranha coincidência, precisamente entre a data em que começou e a data em que terminou a suspensão dos vôos naquele espaço, realizaram-se na área da Turquia manobras militares da OTAN, envolvendo intensos transportes aéreos entre Estados Unidos e bases sediadas naquele entorno. Aviões militares aparentemente são blindados contra fuligem.

Na mesma época DESAPARECE A CÚPULA NACIONALISTA DA POLÔNIA, incluindo o seu presidente. Este e grande parte do seu governo teriam, segundo a mídia, se dirigido a Smolensk na Rússia, a fim de participar de homenagem aos mortos de Katyn. Katyn foi onde durante a Segunda Guerra os soviéticos executaram 15.000 poloneses (11.000 oficiais), massacre este por muitos anos atribuído aos alemães. Noticiário pouco preciso falava da queda do avião da comitiva polonesa, mas não há registro de ter levantado vôo de Varsóvia, nem de ter chegado a Smolensk. Fotos publicadas nada comprovaram. Desapareceu ali a elite antiglobalista da Polônia. Poucos chefes de estado compareceram ao enterro das supostas vítimas. Depois do acidente mais de cinco mil oficiais poloneses saíram ou “foram saídos” dos seus postos. A eleição para presidente, que se fez necessária, deu à Polônia um dirigente leal à União Europeia e ao FMI.

Outro fato que dá o que pensar é o noticiário sobre a SITUAÇÃO FINANCEIRA DA GRÉCIA. Dizia que o país estava falido, que a geração atual não terá como se livrar da dívida (qual a geração atual de que país tem como se livrar da respectiva dívida?), que a Grécia já estava pagando juros de 10% (o Brasil paga quanto?). Mas o que a estava tornando tão perdulária? Parece que a causa está na existência de um potencial inimigo à porta. É a corrida armamentista entre Grécia e Turquia. Revela-se que a Turquia tem ambições e acredita ter direitos sobre os Bálcãs e mais algumas áreas, a fim de formar a Grande Turquia. A Grécia quer se defender. Comprou aviões de combate, tanques Leopard, fragatas, mísseis, submarinos. Destes tem 12, a Turquia 20, na soma quase tantos quanto Grã-Bretanha e França juntas. Isto mostra que a situação não é crítica só lá para os lados do Iran, mas que todo o Oriente Médio continua sendo um barril de pólvora.

A propósito, tivemos mais outro fato naquela área que convida à meditação. Tivemos ali a tal FROTA DE AJUDA HUMANITÁRIA A GAZA. Não se pode discutir a existência dos ativistas, realmente imbuídos de vontade de levar ajuda humanitária aos palestinos. Tanto é que alguns pagaram aquela ação com a própria vida. Mas quem pagou, organizou, equipou os navios? Ativistas pró palestinos não podem ter tido cacife para tanto. Só pode ter sido a Turquia. Mas a Turquia e Israel são parceiros. Ambos têm ambições expansionistas e ambos querem fazer parte da União Europeia, com apoio dos Estados Unidos. Fala-se até na mudança da capital de Bruxelas para Jerusalém.

Aprendemos em Geografia que o Oriente Médio fica na Ásia. Agora se pretende mudá-lo para a Europa. Estranho. Tudo muito estranho...

Toedter
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